sábado, 28 de novembro de 2009

(nicole mendes)

Às vezes não sei como escrever.
Às vezes esqueço de como se escreve.
Às vezes me perco quando tenho que escrever.
Às vezes dá um branco. Atualmente tem sido com a palavra saudade, não sei se é com "u", de saúde, ou saldade, com "s", de sal. Também não sei o que é a perna esquerda.
Sei que gosto do fado que ouço de dentro da casa da velhina que fica perto da escola de dança. Não sei se ela é daquelas velhinhas que maltratam a sobrinha, mas sei que a casa não deve ter aquele cheiro de casa fechada, porque quando passo pelo passeio, na hora do almoço, a janela está sempre aberta. Sei que gosto da imagem, ainda.
Gosto da imagem dos vários relicários que ficam pela zona, mas sei que gosto mais se um dia aqueles objectos sairem de lá.
Já não gostei, mas sei que hoje gosto da didática da professora russa de balé clássico. Sei também que ainda não sei o que é o corpo, ou tudo dele. Do mesmo modo, sei como meus olhos funcionam.
Sei, há muito tempo que eu ia fazer de tudo, de novo, por amor. Não sei se sempre... ou melhor, sei, claro. Sei que mesmo se não o fizesse, seria amor, Não sei o que é amor, não tenho pensado muito nisso. Só sei que sou dele. Sei que sou ator, que é difícil viver sabendo disso e que novela do Manuel Carlos é manhosa.
Não sei quem é "Alice", a personagem que eu escolhi. Mas sei que ela me escolheu, que ela precisa existir e sobre ela, ainda bem que sei da luz, dos espaços e do fantástico. Sei que o gênero nem é assim tão importante.
Sei qual é a minha cena. Sei de muita coisa.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

livre, leve e fácil

no maravilhoso parque de Alice

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

melancia

Já disse que era falta de atenção e percebi que é jeito de ser. E não passa, não acontece nada que eu não note, que eu não queira e que eu não analise: meus deliciosos objetos de estudo.

Sei viver sozinho, dou uma de forte e no grande complexo das personalidades e comportamentos afetivos, estou no time dos que se entregam, os idiotas, como muitos dizem.
Agora é existir de tal ou tal maneira que eu force uma autonomia. Exigir do próprio eu que será por mais tempo eu e não "nós", como se sonhava.
Sonha, chora dormindo, acorda assustado e as roupas não andam sozinhas.

Real ou onírico, as declaração de amor são sempre bem vindas.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

cuimento, possessivo, sufocante

Ama, demasiada-mente. E tem homens que chegam em casa, batem na mulher e justificam dizendo que é amor de mais. Mas também, se a mãe desaparecer a criança morre. Idealiza o amor, idealiza alguém. Onde está o mal da exclusividade? E no "ok, obrigado, mas estou satisfeito"? Neguinho passar a mão? Há, vai pensando!
Ama, desregrada-mente. E faz o céu de papel porque trata o amor como divindade. Quer casar pedindo ao mar que nos proteja, depois amarrar cetim no pulso, ou no tornozelo, tanto faz. Aquele corpo... inteiro amado por completo querido. Mente de verdade se questiona por que ama.
Ama, excessiva-mente. E tem medo de perder quem ama porque tem medo desde novinho. Medo de bruxa feia (de bonita não). Perdeu muita coisa por causa da cabeça esquecida e já foi assaltado cinco vezes, numa delas apanhou (única vez).
Ama, consciente-mente.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

SoproS


José arrancou o carro e Mariana foi atrás, a correr desesperadamente. A guerra que os dois travavam já durava alguns dias. Ela acordava de mal humor, ele reclamava a falta de sexo e tentava acalmá-la com chocolate. A idéia era forrar com madeira a parte interna de uma caravana que ia ser casa para o verão, para o artesanato e para os momentos áureos da geração power ranger.
- Esse sentimento latejante me assusta. Como proporção foi a coisa mais forte que já senti por algo, coisa ou bicho. Mas se você quiser eu diminuo a frequencia, tento não enviar tantas menságens.
- Não, podes continuar assim.
- Ufa, então vou ser eu mesmo sempre.
Tinha desaparecido dessa tal consciência narrativa, mas estava feliz nos bilhetinhos de geladeira e nos informativos "Para Ler no Autocarro". De alguma forma era sabido que o lírico tinha sido destinado, completamente determinado ao amor supremo jamais sentido, jamais verbalizado, pensado... iiii...
- Sim, são todos. O mais velho é o Toshio, filho do meu primeiro casamento com aquele japonês. Depois vem o Beija-Flor, avuado o menino... o Peladinho, que não gosta nada de vestir roupa é a cara do pai, e essa é a nossa caçula, a Pinchi.
Começamos a desenvolver algo semelhante a vida que é arte porque a arte é intrínseca de mais. Mas todo esse blábláblá desemboca numa relação bonita de criação artística delicada e estonteante, bela e alegre e que morreu prematuramente depois da sinceridade roubar a cena.
- Casa comigo?
Não digo casamento, casamento... penso num ritual criado por nós e oficializado no mar. Algo que peça a natureza que seja mãe protetora do nosso amor. Eu quero cuidar de ti, amar-te.
- Sim, aceito!
O medo parece sexo, anda sempre na cabeça. Assume, teme perder, ou que acabe como outros tantos que acabam. Em um determinado momento da vida deseja construir alguma coisa e desenvolver a evolução de uma ligação físico-espiritual.
- Claro que eu incremento meu espírito!

terça-feira, 9 de junho de 2009

saravah

quinta-feira, 21 de maio de 2009

ñ +



Tenho medo de olhar. Porque gosto.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

luzabrescuro::gritoabrevoz

Geralmente o título vem primeiro, ai fica mais fácil contar o que tentou sintetizar.

Nem sei se é história, classificar de forma simples foi a pretensão.
Chegar em algum lugar para buscar conseguir se acalmar, deixar de pensar no monstro que é.
Mesmo insecto de Kafka, aquele que num belo dia acorda, em um momento literário díspar e com tentativas de identificações profundas de mais.
Conclusão da história: assumo, isto sou eu.

domingo, 29 de março de 2009

Domingo


os picas do metro não multavam os passageiros, só resmungavam quando alguém sem o cartão andante válido era pego. E as pessoas na rua se davam um dia de descanso, tentavam pelo menos. Paravam para ver os skater's no relevo do chão da casa da música, que simulava elevações de um solo que tinha sido travesseiro de um meteoro. Na cozinha, Inês sorria depois de encontrar seus amigos. Sorria mais quando um desses amigos dizia ser fascinado com dança. Ela encostava o ouvido na boca do amigo, que cantava o fim das questões depois da felicidade de encontrar alguém. Aguém com cartão válido. Inês algodão, bailarina. Todos sorriam... até Clara começar a falar da Fotografia, ai já viu, gargalhadas finais de despedida.
Inês ia para debaixo do Sol, leve. E debaixo do Sol leve, abraçava e sorria de novo e suas calças dançavam e cada um foi para um canto.
O Sol é o que pira a gente.
Lá em Coimbra...
Lá em Miramar...
Para onde Inês foi?
Ainda na cozinha...
Na porta do ginásio.

sábado, 28 de março de 2009

luz

Lançado
Emitido
Irradiado
Difundido
Propagado
Esparguido
Alastrado

Recebido
Apanhado
Acolhido
Hospedado
Admitido
Obtido
Aceito


Mudo, calado.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Beatriz com laranja * O rizoma do conceito e a subversão da imagem



"You're so very special"
creep-Radiohead

No momento estamos tentando mais uma vez entender, mas tudo foge e escapa um pouco.
Diante então das possibilidades, é necessário estabelecer um caminho que torne possível a discussão de algumas questões e com alguma eficiência no tempo, ainda que correndo o indesejável risco de permanecer na superfície e não produzir uma idéia totalmente constituída desse propósito. Além da loucura, vizinha.
Confirma-se de tempo em tempo que somos criaturas de um aglomerado de sentidos que relacionam com um especial mais abstracto e com uma carência de definições ou materiais para os diversos fenômenos. (designo de alternativa, designo de incerteza) Uma escassez de materiais-objetos que definam a coisa em si. Em síntese, o homem não produz um conceito de si, do que somos hoje, e por isso é comum o intelectualóide-analfabeto, aquele que não encontra o que o espírito concebe e entende.
Falta alguma coisa, porque somos seres verbais e mesmo calados estamos falando.
Homo sapiens, faber, loquens, demens, videns... elasticus... Não dá mais para ter somente 5 sentidos e o pensamento admite a extensão do tecido do nosso corpo de plástico.
Bem... então por ai.
Um sentido a mais, sentimentos a mais, dispositivos de compressão de informações a mais, onomatopéias, ruidos, a mais. Misturas químicas e transgênicos a mais.
A minha pasta tem o meu nome, simples.
Minha identificação no computador, micro.
Sou um arquivo de armazenamento de info-dados, pen.
O Google já nem usa letras "disfarces" para decorar a sua logomarca e a nossa visão consegue visualizar o distintivo do site instantaneamente, de tão recorrente é a imagem. Colors.
Nesse formato a identidade está em permanente conflito com as urgências implantadas de uma homogeneização comportamental e paralelo, uma certa rede rizomática de poder ser tudo e saber de tudo e conhecer tudo e viver tudo, na medida do possível, sem uma unidade de medida.
Viver no complexo mundo de nós nesse e naquele tempo é como se fosse um rastilho, um detonador de consciências, que implode a muralha de preconceitos que já se traz dentro de si, da embalágem.
Nos encontramos no centro do espetáculo, vivenciando-o - fomos integrados nele. Ou mesmo o somos porque a vontade de ser baiano e estreiar como espetáculo mistura à idéia de provocar desconforto no público, perturbando-o em suas convicções mais firmes, instalando o conflito e desmantelando o consenso.
A imagem subversiva como aquela não subordinada a uma ordem vigente vigora o motivo de termos um dia após o outro, de ócio criativo, que seja. Trata-se aqui portanto, de uma tentativa de acercar-se da possibilidade de uma representação não-estereotipada, porque não existe nem coletivo, nem particular, nem singular ou plural. Imaginemos, pronto. A partir daí está liberado a desconstrução e deslocamento de qualquer conceito relacionado à uma imagem já sabida. Nossos olhos são mansos e sabem bem o caminho de casa.
O desafio para os observadores é procurar um novo formato de compreensão e, conseqüentemente, construir um pensamento novo que rejeite a identidade oficialmente sugerida pelas estruturas de dominação.
Para quem produz imagem, para quem reconhece matéria e corpo, isso é uma aventura.

* * *

Tenho sido seqüestrado por pensamentos esquisitos sobre a elasticidade dos seres humanos. Quanto mais me entrego às sensações que me cercam e à investigação da condição humana, mais me distancio dos ideais que aprendi como sendo as bases de nossa humanidade desejável.

- Faz frio, muito. Aqui no iglu com as narinas tapadas pelo catarro não sinto cheiro de nada, nem sensibilidade, porque meu corpo parece congelado. Também não me preocupo com comida, coisas sem gosto... e só vejo o branco da neblina e neve. Minhas luvas? Cheiram a Beatriz e a laranja que ontem chupei, penso.

Cheiro de fruta e do cão doméstico, cheiro do doméstico do próprio homem.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Crânio


De alguma foma conseguir explicar um pouco do que se passa em uma cabeça lotada...
De tanta particularidade e embestação da novidade...
De como o conceito não basta e as identificações superam...
De tudo que podia ser quando as cores se espalham mesmo e invernam.

Por toda grandeza do corpo dele, escolher o sorrisinho de canto de quando eu o leio.
Por qualquer contorno de giz que o corpo dele narrar meu traço de contorno.
Por mais vontade de cartografar a matéria do corpo que ele representa nas mais voláteis das subtilezas das tendências das próprias características.
Por isso [voo] para que...
Quiser.
Por que
¨¨¨¨

"Descrever é observar mutações." (Godard)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

arquivo morto

- Não salvei e perdi tudo.

- Todas as partes, todos as pastas?!
- Tudo, não sobrou nada.
- Como isso aconteceu?!
- Não sei ao certo, mas fiquei confuso com o sistema e com a máquina. De tão real que parecia ser aquilo... Tudo muito desordenado, me confundi, deculpe.
- Não há como recuperar, foi-se embora todo o material, o consumo e o produto.
- Mas também, nenhum programa era tão seguro, tentei todas as formas substânciais e nada deu certo.
- Dispenso suas explicações, aquilo estava conservado sob a custódia de uma entidade muito importante. O sistema possuia um conjunto de instruções que estava numa linguagem de programação capaz de ser interpretada por quaquer um, era dotado de uma determinada sequencia que permitia executar tarefas.
- Então... só era preciso comunicar os movimentos e pôr em ação os agentes naturais?
- Espere, alguém na linha.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

abandonada mente


"mapa"
não se separa nem desponta como uma imagem mimética do mundo, próprio se elabora, se entrelaça no mundo, transformando-se em mundo como mundo se transforma em cinema, sendo cada um e ambos uma multiplicidade e não uma unidade ou parte de uma dualidade. Se cada fotograma desse uma idéia da coisa...

sábado, 13 de setembro de 2008

Eu não, Sinatra

Jamais pensou que pensando tanto acabaria por acontecer e jamais esqueceu que por nem sentir pensar, aconteceria.

Um "ai!", foi a primeira coisa que saiu daquela boca que já sabido falava outra língua. Não, foi "ah!", que é mais universal. Ele segurava a panela da comida que eu fazia e foi por causa da falta de atenção, da falta de um paninho de proteção total das mãos ou da sensibilidade do corpo humano às superfícies metálicas aquecidas, que ele se queimou.

Aquela boca, aquela língua, ouvia-se chiado e o equilíbrio vinha de no mínimo uns quatro anos de yoga, algum de tai chi também. Foi desde quando o ônibus me deixou perto do mastro que ele pendurado, cantava uma coisa meio Sinatra. Percebi.

Visivel de mais com seus dois metros de altura e suas cores absolutas e mornas e branquidão de pele. Então era só seguir o corpo mais alto que se via tranzitando e dançando por entre aquelas tendas. Todas as imágens eram de um adulterar qualquer espaço que ele estivesse e eu esparava o silêncio ou o barulho e lembro de morder a boca e acompanhar cada instante. Tudo que ele fazia mudava tudo que ele preenchia. Hipnose, do fogo que esquentava a panela à beira da fogueira que dormimos juntos, exaustos de baile. Era o final de uma festarola de sete dias de dança, e naquela noite minha mão já havia sido um macaco, num fantoche esquecido por um contador de histórias espanhol e uma personagem qualquer dos dedos indicador e médio simulando duas perninhas.

Passado um mês, eu saia de uma fábrica que fazia árvores, um viveiro que produzia mudas de eucalíptos e plantas ornamentais para comércio, corria contra o estrangulamento de não posseguir e trabalhava com emprenho para meus parafusos e cinzelatura decorativa. Já era outra festa, concentração comunista em capital de país.


Nosso encontro foi uma surpresa, um descendo, outro subindo. E nossas cores se conciliavam como nossos olhares eram a circunstancia da nossa mesma frequencia. Para evitar perdas não coloquei minha língua em nenhuma boca e ainda não entendo isso. Porque me perdi naquele corpo gigante e mesmo sem saber o que fazer com algo tão grande... repito, me perdi.

No dia seguinte ao acordar vi um saquinho com vidros quebrados ao lado da minha cabeça, que boiava com a luz forte do Sol. O gigante veio me convidar para a praia e por lá ficamos, eu escrevendo, ele produzindo instrumentos musicais com corda de pescador, embalágem de iogurte e fogo de artifício.
O homem de enormes proporções me assegurava e deixava-me fugir, amedrontado por poder dissipar uma nova vida e uma novidade que para mim já era a fábula do gigante. Não sei o que conduzia a perdição, talvez a areia branca de mais, naquele corpo branco de mais.

Então fui com o trompete do Chet Baker agudo nos meus lábios e fiz todos os acordes possíveis com aquela uno-corda-viola.

Daí, voltei à Vila para despedir do Paulo e para viver em frente ao Pelourinho, organizar a hipótese da violência enlatada, falar espahol, colar imágens e palavras em cinco metros de papel cenário, tomar café e fumar na Gomes, o cenário do nosso quintal... Cada menina de um lado, meus doces.

Amanhã vou embora.

sábado, 16 de agosto de 2008

Treze


14 quilos e 73 centímetros, foram as medidas que a mãe prontamente disse quando perguntaram-lhe que tamanho era a sua vida. Ela se referia à filha, uma criança de um ano e alguns meses. Naquele lugar chamado Treze, a saúde e a doença do amor eram declarados de tempo em tempo.
Numa pesquisa de campo em meio aos cafés, bombonieire's, comércio simples, circulavam indivíduos com máscaras de bichos clássicos de pelúcia e coletavam as opiniões dos habitantes daquele espaço. As perguntas eram três, para a construção do pensamento que rondava, a meta era gerar conhecimento sobre a estadia, a saida, o deslocamento de cada corpo que ali vivia.

* Que tamamanho é a sua vida?
* O que te faria voar?
* Qual é o seu meio?

A civilização, ou seja lá o que era, porque não se avaliava estados de progresso e cultura social, situava-se em cima de um monte escondido nos confins da traseira de uma maternidade dos partos de prostitutas de um buraco que ficava à cerca dali, 12. Era um terra de terra-fofa, com habitações salpicadas no descampo, uma em cada ponto separada da outra. Esse modelo de vivenda impedia o aparecimento de ruas no solo, as ruas que conhecemos identificavam-se no céu, com um trânsito ininterrupto e desorganizado de pássaros. Sem teto, as casas eram iluminadas pelo Sol durante 16 horas, que era a duração de um dia. A passagem de um dia para o outro, útil na produção dos calendários, acontecia somente quando uma chuva densa e vertical descia do céu e lavava tudo.
Os seres, gente mesmo - crianças, pessoas maduras, adultos e debil's mentais - conviviam com os pássaros de forma doméstica. Daí, quando os pássaros pousavam no solo, molhados, logo depois da chuva, juntavam pessoas num processo de admiração reciproco: pássaro olhando para pele, gente boquiaberta com penas. A contemplação era sempre inédita, mesmo que diário, parecia sempre a primeira vez de contato. De fato tudo chamavam-lhes a atenção, os pássaros eram grandes, mais de dois metros, de asa a asa depende, mas como eles voavam muito alto, o topo do céu parecia ser bem mais alto e os pássaros, pequeninos.
Pasmos, aquele povo todo tentava agarrar "ossentimentos" que somente as asas davam e no solo não se conseguia essa sensação, por isso o voo era um desejo, ardente. Então a gente desde sempre aprendia que os pássaros lhe permitiriam a liberdade, sair daquele lugar. Só não existia conhecimento exato de como era possível a permissão, porque quando alguém saia de Treze, nunca mais voltava.
O sistema humano era modos de vida. Só modos de vida. Só mais uma pessoa. Só pessoas com emoções. Somente corpos. Corpos em pausa e em movimento. Podiam passar por muitos personagens, encarnados ou não, e esse era mesmo o intúito. Espalhada, a gente mirava por cada outro corpo que se aproximava pois já era claro que só se saia dali acompanhado.
Então uma procura por um encaixe era o ofício dos residentes de Treze. Via-se quase todos os dias, antes ou depois da chuva, um par de pessoas saindo voando, sorrindo, carregados por pássaros. Encontrar um parceiro, algum semelhante, amar do ato instante à fuga.

Isso aconteceu assim: Eles levantaram os braços e dois pássaros que sobrevoavam o espaço de encontro dos dois corpos naquele momento, pararam, cada ave em cima de cada corpo. E sem deixar de bater asas, suas patas cresceram, estendidas em formas mais desenvolvidas com ganchos nas pontas: os pés. Cada gancho, composto de quatro dedos, envolve curvado um ombro e no total é um gancho para cada ombro e cada corpo com dois ombros.
Os ganchos eram iluminados e essa luz era transportada para os corpos que irradiavam um neón incandescente. Os pássaros concentrados, não sessavam em bater suas asas, enquanto seus pés curvados captavam os corpos.
O evento se realizou porque uma energia ardente entre dois corpos explodiu. Uma resposta integral de um para o outro: veias e metabolismos unidos num conjuto de compensações; relógios biológicos com os ponteiros na mesma direção; harmonia nas sensações do cheiro, de gostos. Era como se um meditasse dentro do outro e se fosse somente um fenômeno físico, seria como ferver e derreter, condensar e expelir amor, tudo no mesmo momento.
Descortinados e nus, uma película cintilante da cor da pele saia de cada nuca e percorria os corpos por inteiro num processo de purificação. O passado era limpo com amnésia futurista.
A partir dali...

Eu chego a tempo, eu chego!
Antes que ela me rasgue
Antes que ela se case

Eu comemoro o tempo, o vento!
Antes de ontem, de hoje, amanhã, depois, mais, de novo...
Antes que ela me peça poesia

Eu sei o que faço, o centro!
Antes de qualquer poeira
Magnésio ou Maria.

Um rapaz teria dito "Isabel" como resposta para a unidade de medida e decoraram isto após vê-lo voando, seguro por um pássaro, gritando, rouco.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

São herbívoros

E podem até ter pensado no "Segredo" mas parecem já terem nascido sabendo: a inspiração atual segue a possibilidade de virármos elástico.
-Bom proponho tranquilamente que nascam crianças sempre. E que começemos por cada um, que parta desses novos e antigos ideias admiráveis. Que a felicidade, a boemia, lirismo, revolta e erotismo convivam com novas propostas, porque se sente muito ultimamente. Organizar... tudo bem. Olha, sinceramente, acho que uma Pangéia (podemos mudar esse nome). Corpos seguros e dispostos a fazer o bem, gastando mais sentimentos ditos bons. Flexibilidade. Não existe evidência da necessidade e do absoluto, da forma social de se definir em uma forma, da violência.
Necessrio é querer somente que o preciso seja completo ou o completo-preciso. O mundo naturalmente possui entendimento e tudo é mesmo questão de distrair e concentrar-se.
Dom.
Do Mártir ao idiota qualquer.
Espólio de autista.
-Quando essa dispensa de gente lotar alguém faz alguma coisa, isso vai acontecer mais cedo ou mais tarde. Perto ou longe, o mundo perdido, o mundo buscado, o encontro supremo do ser-sentir. Alfa e amor. Tecnologias mortas substituidas, não interessa tanto o objeto mas sim como se aborda o objeto. Com o cinema dá para pensar a complexida do real, por exemplo.
Genealidades construtivas e loucuras.
Pelados. De janelas abertas para a cidade que não pára, 70 mil carros por segundo.
Corta.
Foco no pênis.
Corta.
Foco no aparelho de som.

domingo, 22 de junho de 2008

Linhas, grelhas, manchas, palavras, entregas e melodias.


h ö j e e m d i ä s e j ö g ä n e s s ä b ä l ä d ä e n ö ä s s u n t ö d ä t ä l f ä v e l ä e n q ü ä n t ö d r e ä d l ö c k s ä s s i s t e` ä c o n c e r t ö e m r e t i r ö e e n q ü ä n t ö e ü f i c o q ü e r e n d ö v ö l t ä r p r a ´ e l ( ( e ) ) < > ( ( ä ) ) . e n ä ~ ö ä s s ü m e ö t e m p ö v e r b ä l p ö r q u e , ä i . . . e ä l ö ü c ü r ä d e e s c ö l h e r c ö i s ä s ? n u m ä t e n t ä t ä t i v ä e f e ^ m e r ä d e s e g ü i r ä p r ö g r e s s ä ö d e ä l g ü m ä s e s t r ä t e ´ g i ä s c ö m p ö s i t i v ä s e d e r ä s t r e ä r ä e v ö l ü ç ä ~ o d e d e t e r m i n ä d ö s d i s p ö s i t i v ö s f ö r m ä i s e d e p r ö c e d i m e n t ö s p ä r t i c ü l ä r e s d e s d e ö m ö m e n t ö d ä s ü ä d e s c ö b e r t ä . t i p ö q u e r e r s i m p l e s m e n t e b e i j ä r .


'Me and you and everyone we know'


Se vc me ama de verdade, façamos um voto... aqui mesmo, juntos... agora mesmo.
- Ok?
- Ok.
- Tudo bem, repita comigo.
- Eu serei livre.
- Eu serei livre.
- Eu serei valente.
- Eu serei valente.

- Bom. E o próximo é: Vou viver cada dia como se fosse o último.
- Oh, isso é bom.
- Você gostou?
- Sim.
- Diga
- Eu vou viver cada dia como se fosse o último.
- De forma fantástica.
- De forma fantástica.
- De forma corajosa.
- De forma corajosa.
- Com graça.
- Com graça.
- E no escuro da noite.
- E fica escuro.
- Quando eu chamo um nome
- Quando eu chamo um nome.
- Será o seu nome.
- Será o seu nome
- Qual o seu nome?
- Esquece.
- Vamos lá. Diga.
- Vamos lá. Em todo lugar.
- Em todo lugar
- Ainda que.
- Ainda que.
- Estejamos assustados.
- Estejamos assustados.
- Porque é a vida.
- É a vida.
- E está acontecendo. Está realmente, realmente contecendo... Agora mesmo.
- Agora vamos nos beijar, para tornar real, ok?
- Ok.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

hiato }


Eram metade mulher, metade peixe, a mesma imagem mitológica das sereias de sempre, loiras, quase todas. Não se ouvia nenhum canto, era um barulho de areia a raspar em madeira e ocupavam o armário embutido, socadas, cada uma em uma gaveta, segurando uma quantidade de envelopes, cartas, documentos, dinheiro, tudo em suas mãos. Os navegantes, náufragos e mortos, eram pendurados em cabides e ainda deitavam água salgada em pingos na base do armário. A base, suspensa do chão.

Na prateleira à direita, reservava uma angústia em forma de sandálias de couro - solas rotas e tortas, cansadas, mas com fivelas sempre atentas e brilhantes - por vezes ainda molhadas de água salgada, desta vez lágrimas. À esquerda, em cima, onde se pulsava mais depressa estava ele*, completamente nu. Um conjunto de expectativas meta e físicas em forma de instrumento de sopro de som suave, desafinado, elástico e que gotejava saliva ininterruptamente à noite, quando o céu já passava dos tons rosados, e se transformava em pijama de estampa de aquários e aves, com cheiro de incenso. Queimado.

Pudera um móvel de rodinhas, de simples montagem e desmontagem, com manual em linguagem acessível e com um belo design. Mas contemplava ali um armário de madeira, nem muito grande, nem muito espaçoso e limpo às vezes. Com vida própria (com vida própria, com vida própria...), predileção especial pela bagunça, esgotamento e estrago e pela liberdade e autonomia do que abre e fecha (aqueles movimentos provocados por não sei o que, que fazem as coisas se deslocarem, as portas se abrirem sozinhas, os “ventinhos”) do que pode ser guardado e seguro.

Um armário que range ruídos ásperos quando está fechado, mas que insiste em nunca pensar em cair no infortúnio de uma realidade anti-confortável ou triste, ou não muito artística. Um armário nem um pouco humanizado, visto que atesta e ocupa os espaços que possui conforme a idiossincrasia dos objetos, na maioria das vezes espíritos de carne.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Play


Deixo carregar até poder ver por completo. E os olhos separados e grandes quase fecham quando brinca um sorriso na boca sei lá de onde que parece uma mão magra e macia que parece um fio de cabelo oleoso e que parece com um cheiro que é a alquimia de algum álcool com alguma substância interna, que parece aquilo que constitui a natureza do resto dos pelos e do corpo.

Aperto pause quando não posso prosseguir. E a suspensão é breve segundo um reconhecimento de dentro que é verdadeiro, segundo o que se reconhece como leveza e vontade de entrar na vida de alguém, segundo uns intervalos que acontecem e segundo a velocidade dos estalos do outro corpo que já não julga mais pureza, segundo o ponto de visão contestado quando lentamente se vê, segundo uma inspeção que resulta numa vergonhosa imagem.

Paro e não paro com isso. E uma incerteza sobre a realidade do fato que pode ser a diferença, que pode ser a alteração de tudo, que pode ser o molde dos pensamentos transparentes, que pode ser uma explosão de fogos de artifício da maternidade das mesmas borboletas que sempre existiram, que podem ser cores já conhecidas, lavadas com qualquer detergente, que pode ser de menta.

domingo, 27 de abril de 2008

Ilimitada

[Yann Tiersen - Le Matin]


Quer descobrir tudo/quer se descobrir toda/anda/anda/não pára/não repete/não cansa/anda/não pára/canta/dança/não pára/não repete/continua/sobe escada/abre porta/entra no cubo/pára/fica/lê/abre/

guarda/profunda/extensa/simples/difícil/gaveta/desconfigurada/

completa/janela/ardiada de fogo/sopro de água/cheiro de terra/ffffffff…/consciente do hólon
que é/consciente do hólon de tudo/hiperindividual/seu espírito/mente/corpo/livre/universo/céu/

retalhado/preso-presa/dela
mesma/com corte/concorte/recorte/d’alma/colada/pedaço/por/pedaço/com açúcar.

Ilimitada possibilidade

Encantada.

Ampla probabilidade

Gargalhada

Asas de reagge, alicerce bordado de cravos vermelhos, de armas que evaporam após 50 segundos e desejo da boca que queria comê-lo na quinta.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Guardanapo e outros papéis



sábado, 12 de abril de 2008

Somebody to Love - Jefferson Airplane

When the truth is found to be lies
and all the joy within you dies
don't you want somebody to love
don't you need somebody to love
wouldn't you love somebody to love
you better find somebody to love

When the garden flowers baby are dead yes
and your mind [your mind] is [so] full of red
don't you want somebody to love
don't you need somebody to love
wouldn't you love somebody to love
you better find somebody to love

Your eyes, I say your eyes may look like his [yeah]
but in your head baby I'm afraid you don't know where it is
don't you want somebody to love
don't you need somebody to love
wouldn't you love somebody to love
you better find somebody to love

Tears are running [ahhh] running down your breast
and your friends baby they treat you like a guest.
don't you want somebody to love
don't you need somebody to love
wouldn't you love somebody to love
you better find somebody to love

***

sexta-feira, 28 de março de 2008

Zeppelin

(fotografia de logo mais)

As pessoas que veem o balão indirigível voar, umas sorriem, outras atiram pedras na intensão de furá-lo. Um grupo, à direita, tenta segurar as amarras que restam, outro grupo se aproxima tentando impedir. Lá dentro... (risadas)

O lugar de onde se vê



Se o ator não se maquiasse, seria possível ver no seu corpo marcas, listras, manchas percorrendo a epiderme. Todo mundo vê, mas ninguém ousa dizer que, quando o ator representa, sua pele fica totalmente transparente e se vê tudo o que tem dentro.

Valère Novarina




Vemos então o palco viver a transfiguração da própria vida.

Vejo imagem do artista excêntrico e marginal.

Vemos um “ator santo”.

Vejo corpo em ascese preparado para rejeitar o fingimento da representação.

Vemos um ser “puro”.

Vejo exploração da motivação psicológica na construção da personagem.

Vemos posições neutras e eliminação dos clichés.

Vejo uma distância crítica através do gestus.
Vemos transe.
Não vejo nada.

Quer ver de novo?

domingo, 16 de março de 2008

Bastidor de jardim


Ainda era preso quando dormia, mas era livre nos sonhos do mesmo sono.

- Que alívio, poder andar agora vendo essas luzes amareladas, os postes, poder ouvir agora essa música de antes, poder ir para o meio do nada, do sempre, ou do nunca… poder ter doçura. Tinha pensado em me auto enjaular, e… pensei de mais. Então agora penso no mesmo corpo gasto e estragado dos momentos estúpidos forçados e me entrego à simples proteções de lãs, linhas tecidas, cruzadas, coloridas.

- Portanto se curou?

- De mim? Como posso?!

- Seu corpo não era emprestado para representar o papel do que lê o manual de instruções, o preciso? Recordo que ainda era “grilo preto”, dançava balé em palco pequeno e torcia pé em pedra. Diga! Existe algo dentro deste músculo que te libere?

Alguém o encurralava para revelar um segredo que podia sair em choro, em riso, em poema, em fumaça. Era perigoso, ele e o que ocultava-se dentro dele.

- Sempre convivi com o cheio, sempre me coube pouco e deixei escorrer muito de mim nesse tempo aqui. Derramava sem o meu controle, irrecuperavelmente. Este corpo solto que vês ainda é a miscelânea de desordem e perturbação, uma compilação de várias peças científico-literárias no mesmo volume. Não! Também consigo me dividir, desculpe, me expressei mal.

A discussão caminhava para um encontro de qualquer coisa com coisa, enquanto uma estação de transporte de mais músculos e corpos despejava vida, sensações sem nenhuma ordem narrativa. Vinha da África do Sul, vinha do gramado e da energia.

- Certo, posso pedalar no ar. Posso te ensinar a pedalar no ar!

- Exato, então continuaria me escondendo. Compensaria uma simulação idiota e circular das suas pernas pelas palavras que quero ouvir? Quero discurso, por mais incrédulo que seja!

Fechado no quarto escuro, recusava a eterna postura desconfiada e a segurança mole, torta, riscada daquele ser demasiadamente humano como nos livros.

- Assumo, meu corpo é este terreno fértil de cultivo de árvores, flores, plantas, para adorno e estudo. Revelo, a minha alma é minha própria existência.

- Isto eu já sei! Você perde pêlos consideravelmente, diz aqui na cartilha: art. 5, setor existencial – Queda de pêlos seguido de reconhecimento de alma como fruto de exploração do produto.

Ele não se sentia produto, mas quando ouviu os números lembrou-se logo que tinha coisas para fazer, os números possuem esse poder. No mesmo corpo, havia uma porção de matéria de um ser animado pela única consciência possível: o amor.

- Deixei-me pintar, condensei-me em tinta fresca desde os primeiros momentos dessa aventura, mas o fato é a compreensão deste meu sentimento que mesmo eu, desconheço, não consigo falar, nunca verbalizei tamanha profundidade, já tentei, mas não posso. Ouça o meu coração, tente me entender? Olhe para mim, tente!

Várias tentativas, uma atrás da outra, todas supostamente diferentes, abolindo títulos, acatando-atacando as mesmas fraquezas. O dono do segredo já estava exausto de tanta explicação, justificação, tentativas. Gesticulava enquanto verbalizava e as mãos de tanto ameaçar em todas as direções por vezes ficava tonta como tonta fica uma cabeça. Ele não era uma única cena, não tinha seis lados como um cubo, tinha lados curvos, o que confundia a geometria e a aritmética.

- Porque uma curva tem tantos lados que não parece ter lado nenhum?

A busca por confusão mental, por motivos de aproximação. O investigador e o dono do segredo se esforçavam, mas quanta falta se tem.

- Meu mundo nu, meu mundo nu, como posso conter isso? É novidade de mais enquanto eu também não paro de me surpreender!

Corrigindo-te, eu represento o papel do que ama de livre, leve e fácil espírito, e não finjo, sou. Vou ter um rio com peixes-boi, vou ficar com a brisa… acredito em mim e me acho confiável.

Até a bicicleta...

"História trágica com final feliz" - Regina Pessoa (Portugal)
As asas da menina-traço, a falta de tradução e o profundo sentimento-cor.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Esgoto de si

- Quero voltar para cima da árvore! Eu só quero minha liberdade! Para mim, ser só meu. Eu penso. Esclareci-me. Não sou um bicho (sou um bicho). Eu sei que o humano é absolutamente livre!
O jardineiro continuava maltratando-o com um barulho torturante de enxada que batia em um solo de pedra e fingia não estar ali.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

A QUESTÃO É TEMPORAL

TELETRANSPORTE Fresh
uma viagem agradável ao início, meio ou fim.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Cuca Cão


É… é uma situação na qual não se pode concluir o verdadeiro nome das coisas, e assim mais do que depressa trata de arranjar-lhes denominações provisórias. Faz isto o mais rapidamente possível, mas mal se vira de costas para elas, já se esqueceu de como as chamou. Espreme cordas vocais. Lembra de novo mais tarde, em outra situação e faz um fígado de ligações engajadas. Vive com aves, se alimenta de sementes dos momentos únicos de cada novo pouco-tudo que tem, que pode. Acha nome onde não existe, cria, inventa, fala a verdade (que? Que verdade?), mas fala de tudo: verborrágico agudo. E assim vai, não afirma mais nada, não resulta nenhum assunto. Tudo aberto. Explorado de todas as partes possíveis, todas as formas pensáveis. Pensar em soluções para tudo, falar o que conseguir desse tudo e tentar encontrar harmonia na recepção das pessoas em cima do que elas entendem ou não do assunto, viveram ou não da história, são ou não na realidade de cada um. Fala o que sente e sente de mais. Constata e, se expressa ou não, ora. É sempre um, chamado de doido, metido a intelectual, que fala mais que os outros, que usa roupa diferente, que lê absurdo.

Pedra-louco. Descobre que a loucura é uma farsa sem significado e explicações. Que inventaram a loucura, mas ela não existe, é uma perna curta de mentira.

Dizem por ai…

Para se esquecer o amor romântico; não idealizar seres humanos; que a evolução são manequins hologramas nas vitrines; que a exclusividade sexual deixará de existir; da filha da puta da sociedade patriarcal católica; da bissexualidade e da andoginia; do plano da alma-gêmea e do ciúme como educação.

Quantas almas-gêmeas existem?
Quem não dorme em posição fetal de vez em quando?

Percorre todas as possibilidades e vira número num estálo (plac!).
Diverte-se imaginando uma passeata em protesto, de pessoas vestidas de qualquer coisa (tá, com nariz de palhaço seria ótimo), gritando “NESSA ESPERA O MUNDO GIRA EM LINHAS TORTAS”. Canta bravura dócil de banda extinta.

Porque essa tal revolução não chega logo? Extra terrestre é quem vive em outro planeta, ou quem vive na terra, mas é classificado como fora? Fora de que? É ser híbrido até a última gota e ter a arte, paralela, como fôlego cada vez mais remédio?

Olha o monte de gente que a gente atrai. E se paroxima sem prevê nenhuma consequeência. Olha como a gente se joga ao eterno e fala da vida!?

Cala a boca Jeová!

Espera. Adeus. Fica.

sábado, 26 de janeiro de 2008

cor-de-rosa-choque-da-pele

AHQUEVENHAODIAEMQUEOSCORAÇÕESSEAMEMPARAQUENADATE DETENHAQUERIDAQUESEJAPORDELICADEZAQUESEJAPORGUERRA
FRIAQUETENHAODIADOTADODECÉUSDECHÁSDEINCENSODA
MAISALTAALEGRIAQUENADATEDETENHAOHVIRGEMMARIAEDEIXA
OSPÁSSAROSPEDESTRESSEREMOFUTUROCALMOVARIADO

MISTURADODOMUDOMUNDOESEPERGUNTAREMPORNÓSDIZQUE

ENTRAMOSPORESSEESPELHOEVIRAMOSESPUMADEMARDETODO

DRAMATODACOMÉDIAQUENUNCASOMOSDEVASSOSSÓPEDIMOS

QUEEVIDENCIEPRIMAVERASEQUEGUARDEMAMIGOSDOGRANGE

TRUQUEDAVIDAPORQUENÃOMAISMESINTOGUIADOPELOSHOMENS

DECÁEESPEROOMAISBELOSOLPARAPODERPARTIRDETRIUNFO

PARAVOCÊCUJAALMASONHOMOSTRAÀMIMAHISTÓRIA

DEMINHALOUCURAONDENADOLOUCOEVAGUEIOCOMOROMANCE.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Marte, amanhã * A onda de salvar o mundo


Espirito coletivo, corrente de espíritos, almas-gêmeas, amigos próximos, amigos-irmãos, amigo-curtição, amigo-droguinha (mala), amigo-silêncio, amigo-amigo, amigo de amigo, Mara, pessoas do mesmo planeta… a onda vai ser geral, o toque de recolhida, direto; o aforismo, plural; o vocativo, publicitário, a decisão, política: vamos salvar o mundo!
Percebe-se que estamos no miolo de um liquidificador, cheio de segredos, ou de um autoclismo/descarga, encarnado de mitos, gurus, fés, pontos alfas, sonos, sonhos, mundos de subconsciência. É notório para todos, acredita-se. Esquizofrênicos ou nao, se vê a rapidez com que os meios, e a história social desses meios, renovam-se para arquivar a nossa história. Exigir-se-a mais dos historiadores, 10 anos, no mínimo, para entender a nossa época. Fazemos a informação que a história do futuro vai padecer para documentar e isso é prova de transformação frequente, revolução.
Portanto, vamos ser políticos ou não, mas pelo menos políticos em decidir e declarar que não, que não se é político. Em política as coisas são reais e as propostas são (mais ou menos) verdadeiras ou falsas. As pessoas sangram e morrem. Podemos ser um pouco de cada coisa, personágens variados, podemos ser políticos, filósofos, naturistas, dançarinos de tango, surfistas, atores, cineastas, podemos ser o que quisermos, então porque não participar e salvar o mundo. (?) Dissolver as experiências em perspectivas, horizontes, opiniões, valores, dominacões, culturas e todo o resto, mas sem destruir o mundo, o avesso, mantendo-o.
A política é a atividade pela qual se sustenta o quadro da vida humana, então, que já nao sejamos políticos e que seja a vida mesma a responsável por esse alicerçe. Que a vida humana exista em sua amplitude, com seus heroismos, sua ambiguidade, seus conflitos, com essa, ou sem essa confusão mental de ser político ou não.


Mochila de gente


A política precisa se manter distante de aventuras? Aventurar-se? Sozinho? Passe a saber, informe-se sobre tudo possível antes, pois se constata ruidos e diferencas, além de campanhas de filantropia africanas ligadas ao tráfico de drogas, algumas pessoas não se relacionam e a chave que abre o circo fica atrás do vaso de flores da Madame Satã: relacionamento humano. Se o que se lê são peticões e poemas, vamos cultuar a política do entendimento, ser ser-híbrido, mas não se misturar. Ser coroado rei de você. O caminho monárquico é longo, se sabe, por isso, a coroa pode ser um elogio sincero (verdadeiras opinioes de carater).


O sonho de Lucy


As verdadeiras opiniões de carater sincero sobre valores, surgem na primeira oportunidade digna de verdade do real (suposições sobre o real, claro). Sim, basta ser verdadeiro, falar o que pensa, ser reflexo de pensamento, dizer o que vem à cabeça, basta somente receber metade de reflexão de espelho (menos que isso nao dá) para se inserir. Tudo carece de verdades e a proposta é interação. Somos obrigados a discutir e espiral do silêncio é argumento para filme medieval. Se a realidade é um espaço de unicórnios, fadas, penas de papagaios ou fênix espalhados pelo chão, vamos falar sobre isso? Por que não? O dinheiro neste caso, a mola, falso/verdadeiro/papel/metal/redondo/quadrado, pomposa cola plástica dos rótulos dos estereótipos, continuará facilitando as oportunidades. Aqui, neste caso, o "verdade“ nao entra, tao mais apropriado é fazer dinheiro com satisfação, gozo, condicionado.


Sr. Embalágem de Plático


Ela é esnobe, daquela vitrine esquina.
Ele é arrojado, daquela vitrine Levi´s.
Eles se amam, daquela vitrine Natal-à 2-feliz.
As crianças também podem ser elegantes, daquela vitrine a estética se educa.
O que eles querem dizer, os manequins de vitrines do coméricio? Com as estátuas e com as estátuas/gente de cera? Com os monumentos-históricos-estátuas? E as bonecas de plástico? O que eles querem dizer? Nada. Eles não precisam. Nossas expressões petrificadas são suficientemente eficazes na mensagem de diálogo com nós, irmãos de sangue. Estátua! Se o ser-humano desaparecer da Terra, não interessa a causa, se um belo dia todos sumíssemos do planeta, a natureza saberá recuperar de forma rápida e sem problemas, o espaço que ocupávamos. A incrível capacidade de auto-regenaração do planeta surpreenderia a fragilidade de nossas criações e a marca indelével de nossa civilização, pode ser mesmo os manequins, nós mesmos, porém estáticos. O salvar o mundo também pede que permanecamos nele, o salvar o mundo é ao mesmo tempo salvar-nos.


Light graffiters - Every man has a super ego


A clarividência atual é a tóxico-dependência de emoções. Ser viciado e viver para pessoas viciadas em sentir emoções. A clarividência é a física quântica, ser o átomo, ser tudo, até parede. O design de iluminação é um vasto universo que rivaliza com qualquer constelação revelada pelo telescópio Hubble. O problema é o conceito-prévio. A questao é o senso comum. A opiniao subfreudiana de que tudo o que fazemos é uma revelação sexual, já é idiota e o erro de um homem pode ser provavelmente o entusiástico compromisso de outro. Por isso, vamos salvar o mundo!
Pensando bem, viver em Marte não seria assim má idéia, então, vamos salvar o universo!

IN VENTO :: O teclado alemão que não tinha "til", nem cedilha


Logo que chegou comecou a chorar de felicidade e, durante o primeiro dia chorou mais algumas vezes, certo de um estado seguro e encantado, debaixo de um circo, definido no ar alguma sensibilidade, plasma.
Parecia outro mundo, perdido no tempo. Parecia outra história, encontrada na lembranca de uma vida que existiu, uma vida surreal que existiu.
- Eu tenho três dias, por favor, nao dorme.
O íntimo era lotado de fluxos.
- As personagens reais deste pedaco de mundo armaram uma tenda colorida e iluminada dentro do cardiograma! A máquina que faz gente, cada qual, com cor e dor e timidez cultural. Cada um!
Estavam todos aflitos. Esse depoimento foi colhido no meio da rua por uma estudante de cinema, de Barcelona, Espanha. Ela tinha presenciado a succao de um habitante do pedaco de mundo pela máquina.
-Gente que nao acredita em contos, se prepare, a vida é mais! Tudo divulgado de cardiograma para cardiograma!
Fechou, com um grande sorriso, o discurso de venda da máquina "Cardiograma"/modelo 2008 - José Manuel Pereira, português, 23 anos, atendente do centro de cópias e impressao de filial de loja de materiais para escritório - após demonstrar um objeto à dois clientes ansiosos. Eram Joao e Maria...